terça-feira, 20 de julho de 2021

Guido Frederico João Pabst (1914-1980)

Nascido aos 19 de setembro de 1914 em Porto Alegre (RS) um alto funcionário da antiga VARIG, dedicava-se nas horas livres à botânica. Ao ser transferido para o Rio de Janeiro, foi fortemente iniciado na botânica por Edmundo Pereira e Graziela Barroso, recebendo boa parte de sua instrução sobre Orchidaceae dos botânicos Alexandre Curt Brade e Frederico Carlos Hoehne. Apesar de sua morte, este ainda permanece como um dos principais nomes da Orquidologia do Brasil. Em 1950 publicou seus primeiros manuscritos sobre orquídeas, totalizando quase 200 trabalhos científicos.

Estudou na Europa as coleções de orquídeas brasileiras dos herbários: Royal Botanical Garden (Kew); Museum de Histoire Naturelle (Paris) e; Botanische Staatssammlung (Munique). Além das coleções dos Estados Unidos: Oak Ames Orchid Herbarium (Harvard University em Cambridge) e; United States National Museum (Washington).

Em 1958, por ocasião do Sesquicentenário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, recebeu a medalha D. João VI. Sendo que neste mesmo ano fundou o HerbariumBradeanum.

O Brasil herdou deste inestimável pesquisador obras como a Orchidaceae Brasiliensis (vol. 1 e 2) e boa parte das orquídeas coletadas em seu tempo foram justamente determinadas por Pabst, fato que pode ser observado nas exsicatas da maioria dos herbários brasileiros.

Publicou ao total cerca de 186 novas espécies de orquídeas, algumas delas bastante raras como no exemplo abaixo de uma espécie endêmica de Santa Catarina: 

Guido Frederico João Pabst faleceu, com 65 anos, em 27 de abril de 1980. Em sua homenagem foram criados gêneros de orquídeas: Pabstiella Brieger & Senghas e Pabstia Garay.


Acianthera murexoidea (Pabst) Pridgeon & M.W.Chase



Pabstia viridis (Lindl.) Garay


Referências Bibliográficas:


HATSCHBACH, G. Lista das orquidáceas paranaenses do herbário Hatschbach. Orquídea 24: 90-96. 1962.


KLEIN, R. M. Ecologia da flora e vegetação do Vale do Itajaí. Sellowia 31: 1-164. 1979.


PABST, G. & DUNGS, F. Orchidaceae Brasiliensis. v. 1. Kurt Schmersow, Hildeshein. 1975.


PABST, G. & DUNGS, F. Orchidaceae Brasiliensis. v. 2. Kurt Schmersow, Hildeshein. 1977.


REVISTA BRADEA. Guido Frederico João Pabst. Bradea 10: 65-76. 1980.


Friedrich Richard Rudolf Schlechter

Botânico, coletor e explorador alemão. Terceiro de seis filhos do litógrafo Hugo Schlechter, de quem herdou a habilidade para o desenho. Rudolf Schlechter nasceu na cidade de Berlin aos 16 de Outubro de 1872. Trabalhou no Herbário de Berlin, em Dahlem, e viajou extensivamente pelas regiões tropicais da África do Sul, Malásia e Nova Guiné publicando extensos trabalhos sobre a flora de orquídeas de cada região. Na série de artigos do periódico Fedde’s Repertorium Species Novarum, descreveu muitas novidades dos Neotrópicos. Cerca de 230 novas espécies somente do Brasil.

Grande parte de sua coleção em Dahlem foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial, perdendo-se diversos typus. Por fim, enfraquecido pelas doenças tropicais, faleceu aos 53 anos de idade, no dia 15 de Novembro de 1925, em sua cidade natal, deixando esposa e duas filhas.


Fontes:

LOESENER, T. 1926. Rudolf Schlechters Leben und Wirken. Notizblatt des Königl. botanischen Gartens und Museums zu Berlin 9: 912-958.

TOSCANO DE BRITO, A. L. V. & CRIBB, P. J. Orquídeas da Chapada Diamantina. Nova Fronteira, São Paulo. 2005.


segunda-feira, 19 de julho de 2021

Dryadella catharinensis (Orchidaceae) - nova espécie de Joinville/SC

As pesquisas de Daniela C. Imig, Werner S. Mancinelli e Eric C. Smidt, culminaram na recentemente  publicação (ano de 2021) da descoberta de uma nova espécie de orquídea do gênero Dryadella.  Trata-se de uma micro-orquídea, medindo ao todo de 2-3 cm. Essa espécie foi encontrada nos municípios de Joinville e Corupá, cidades próximas e localizadas no estado de Santa Catarina.


A espécie que homenageia o estado onde foi descoberta, recebendo o nome de Dryadella catharinensis.  Trata-se de uma orquídea que ocorre na Floresta Ombrófila Densa Sub-Montana, em altitudes aproximadas de 150 metros acima do nível do mar. Essa espécie ocorre nos galhos do topo de árvores de grande porte. O curioso é que essa espécie floresce o ano todo. 

Vale ressaltar que nessa região a flora de orquídeas já foi intensamente estudada por pesquisadores e orquidófilos amadores e mesmo assim tem-se encontrado espécies inéditas, dado que reforça a grande diversidade de orquídeas na região de Mata Atlântica em santa Catarina.

O artigo encontra-se na revista Phytotaxa: https://mapress.com/pt/article/view/phytotaxa.508.2.9 

Thismia prataensis - uma espécie do Paraná

Os pesquisadores Christopher T. BlumWerner S. Mancinelli e Eric C. Smidt da Universidade Federal do Paraná descobriram uma nova e curiosa espécie de Thismiaceae: Thismia prataensis.


Trata-se de uma pequena espécie aclorofilada, saprófita. Natural do interior da floresta da encosta Atlântica. Até então plantas desse grupo não eram conhecidas para o estado do Paraná.

A espécie leva o nova do local aonde ela foi encontrada em 2009, a Serra da Prata, no município de Morretes-PR. Numa área preservada no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange. Confira a reportagem completa no site do Parque Nacional. Ocorre no interior da Floresta Ombrófila Densa Montada, com sua flor na coloração amarela.


Esta rara espécie foi devidamente publicada e ilustrada na revista Systematic Botany em 2012.




domingo, 18 de julho de 2021

Frederico Carlos Hoehne (1882 – 1959)


Nasceu a 1º de março de 1882, no município de Juiz de Fora (MG). Quando jovem mudou-se para o Rio de Janeiro, sendo que, em 06 de agosto de 1907, iniciou sua carreira no serviço público, onde foi nomeado Jardineiro Chefe do Museu Nacional.

Entre 1908 e 1912 trabalhou na Comissão Rondon, ocupando o cargo de “Ajudante Botânico”. De 1913 a 1914 fez parte da expedição científica “Roosevelt-Rondon”, voltando depois a fazer novamente parte da Comissão Rondon, na qual trabalhou até 1917. Nesse ano, a convite do Dr. Artur Neiva, foi contratado para exercer o cargo de Botânico do Instituto Butantã (São Paulo). Foi criado o Horto “Oswaldo Cruz” onde iniciou a Seção de Botânica. Transferida em 1923 para o Museu Paulista e mais tarde, no ano de 1928, para o Instituto Biológico. Em 1929 Hoehne foi contemplado com o título de “Doutor Honoris Causa” da Universidade de Goettingen, Alemanha.

Em 1938 a Seção de Botânica foi desmembrada pela criação do Departamento de Botânica do Estado, mais tarde reorganizada no Instituto de Botânica. Lá permaneceu como diretor até sua aposentadoria em 1952, onde recebeu o título de “Servidor Emérito do Estado”.
Contribuiu enormemente para a flora do Brasil, ao idealizar e iniciar a publicação científica, a FLORA BRASÍLICA, sendo autor de oito volumes. Sendo que o grupo vegetal que mais lhe fascinava eram as orquídeas, às quais chamava de “Rainhas da floresta”.

Hoehne faleceu aos 16 de março de 1959, com idade de 77 anos.

Fonte: TEIXEIRA, A. R. 1962. Frederico Carlos Hoehne. Arquivos de Botânica do Estado de S. Paulo. 3: 221-222.

sábado, 17 de julho de 2021

Gigantes da Mata Atlântica

 Todo aquele que explora a Mata Atlântica já se deparou com verdadeiros gigantes da floresta. O Ficus organensis (Miq.) Miq., dentre as arbóreas é único. Apresentando feições características no seu tronco e porte avantajado.


Alguns indivíduos dessa espécie, por seu grande porte, chegam a sustentar densas populações de epífitas, lianas, constritoras e parasitas. Mancinelli & Esemann de Quadros (2007), registraram 81 espécies de epífitos vasculares sobre um único indivíduo de F. organensis. Estudo muito importante é o de Gonçalves & Waechter (2003), onde foi estudado epífitos vasculares sobre essas árvores.


No livro Plano de Coleção (REITZ, 1965), é destacado um exemplar que forma um verdadeiro Arco do Triunfo. Este indivíduo ainda permanece lá, chamando a atenção dos que passam por Garcia (SC).




As bromélias são plantas compreendidas na família botânica Bromeliaceae, que reúne 3.086 espécies. Essas plantas são encontradas no continente americano, onde Pitcairnia feliciana é a única espécie do grupo encontrada no oeste africano. As bromélias distribuem-se desde a Argentina e o Chile, até o norte do estado de Virgínia nos Estados Unidos da América, sendo muito comum no Brasil.
Essas plantas também são conhecidas por monjola (portugueses), gravatá ou caraguatá (tupi-guaranis). O nome bromélia vem da homenagem feita ao botânico e médico sueco Olaf Ole Bromel (1639 - 1705). Podem ocorrer como epífitas (apoiadas sobre árvores sem parasita-las), como rupícolas (sobre rochas) ou ainda como terrícolas, como Bromelia antiacantha.

Suas folhas são distribuídas na forma de rosetas (espiral) onde muitas podem formar tanques para acumular água e detritos, suas folhas são revestidas por tricomas que auxiliam na absorção de água. Nas florestas tropicais, suas comunidades formam lagos suspensos.
Diversos animais usam bromélias como auxílio na sua sobrevivência, como macacos, que bebem da água acumulada em bromélias epífitas e também podem se alimentar das suas folhas, diversos insetos as utilizam como moradia e fonte de sobrevivência, além disso muitas aves se alimentam dos frutos e do néctar das flores. Ocorrem em florestas tropicais em altitudes que chegam a 4.200m, até desertos. As maiores bromélias existentes, ocorrem nos Andes, Puya raimondii, que atingem 3 – 4m e de 10 – 15m quando floridas. A epífita Tillandsia usneoides (barba de velho) é provavelmente uma das menores espécies, além disso, não apresenta raízes.



Per Karl Hjalmar Dusén (1855 – 1926)

Dusén nasceu em 04 de agosto de 1855, em Wimmerby (província de Smaland) na Suécia. Formado em Engenheiro Mecânica, praticou sua profissão até 1880. Por influência de um parente, iniciou seus estudos de História Natural entre 1881 e 1898 e, posteriormente ocupou o cargo de assistente na seção de biologia do Museu de Estocolmo. Em 1904, obteve seu doutorado na Universidade de Princeton (EUA).

Dusén realizou várias viagens: em 1890 pela África Oriental; pela Patagônia, entre 1895 e 1897, e 1906 e; ao Brasil. Suas expedições pelo Brasil começaram em 1902. Dedicou-se intensamente ao estudo da flora do Estado do Paraná, primeiramente de 1903 a 1904, depois de 1908 até 1912, e por fim de 1913 até 1916. Somente para o Paraná foram feitos 70.000 números de coleta de plantas vasculares e 1.000 números de musgos, podendo ser encontradas em Estocolmo, parte no Rio de Janeiro e parte em Curitiba.

Faleceu em 22 de janeiro de 1926 na cidade de Tranas.

Diversas espécies levam o nome de Dusén, assim como o herbário PKDC, em Curitiba, Brasil.


Fontes:

TOSCANO DE BRITO, A. L. V. & CRIBB, P. J. Orquídeas da Chapada Diamantina. Nova Fronteira, São Paulo. 2005.

HOEHNE, F. C. Araucarilândia: observações gerais e contribuições ao estudo da flora e phytophysionomia do Brasil. Secretaria da agricultura , industria e comercio do Estado de São Paulo, São Paulo. 1930.