terça-feira, 27 de março de 2018

SARCOGLOTTIS CATHARINENSIS, UMA NOVA ORQUÍDEA EM SANTA CATARINA


Foi descoberta uma nova espécie de orquídea, Sarcoglottis catharinensis. Esta espécie foi devidamente publicana na revista Kew Bulletin e se encontra a disposição para consulta on-line.


Localizada no município de Garuva (Santa Catarina). Até então eram conhecidas somente 3 espécies do gênero em Santa Catarina. Esta ocorre na Floresta Montana nas altitudes próximas a 900m. Suas flores brancas a destacam dentre as herbáceas. Seu labelo a destaca das demais do gênero pelo ápice truncado involuto.


Tal descoberta foi fruto do levantamento de Orchidaceae na Serra Quiriri (Mancinelli, inédito). O local abriga quande variedade de espécies, devido o grande número de montanhas e vales que compõem esta serra de Garuva, a qual pode atingir altitudes de 1.500m. O estudo ainda não pode ser concluído e muito se têm ainda a conhecer.

Nesta mesma serra foram encontradas novas ocorrências em Myrtaceae para o Estado. Confira no 
Blog da Serra Quiriri



HOMALOPETALUM JOINVILLENSE - UMA NOVA ORQUÍDEA EM SANTA CATARINA


Em Santa Catarina (Brasil), foi descoberta uma nova espécie de Orchidaceae - Homalopetalum Rolfe, gênero coletado anteriormente no Brasil por Pinel (em 1853 no Rio de Janeiro) e posteriormente por Hoehne (em 1920 em Santo André).


Homalopetalum joinvillense trata-se de uma pequena orquídea com 2 cm de altura, flores verdes e muito efêmeras. Apresenta semelhanças com Pinelia hypolepta Lindl. (= Pinelia paulensis Hoehne & Schltr.), porém o calo do labelo é semelhante com Pinelia alticola Garay & Dunst. (todas atualmente no gênero Homalopetalum). Foi encontrada em Joinville (SC), com a qual foi homenageada a cidade em seu nome científico. 

Essa espécie ocorre como epífita na Floresta Ombrófila Densa Sub-Montana, justamente sobre galhos a certa de 10-15 metros de altura do solo, onde há maior incidência de luz e menor competição com outras epífitas de maior porte. Curiosamente essa espécie floresce em todas as épocas do ano, onde cada pseudobulbo origina apenas uma única flor. Alguns exemplares apresentam 2 folhas como deformação (ligeiramente similar ao observado em Scaphyglottis modesta, por exemplo).


O artigo com a prancha e descrição completa pode ser encontrado no periódico PHYTOTAXA, pelo link: http://www.mapress.com/phytotaxa/content/2015/f/p00202p283f.pdf 
 

EPÍFITOS VASCULARES



Epífitas são as plantas que vivem apoiadas sobre forófitos (árvores e arbustos) de várias espécies. São freqüentes principalmente nas florestas úmidas, sendo escassas nas florestas secas e savanas. O epifitismo é uma condição de vida, uma vez que estas plantas são autótrofas e auto-suficientes, diferentes das parasitas, pois não retiram nutrientes dos seus hospedeiros. Utilizam-se de pequenas partículas de matéria orgânica, poeira, folhas secas, que se acumulam sobre suas raízes.

Epífitos vasculares no Brasil incluem as samambaias e angiospermas. 

Muitas vezes, são providos por um denso sistema radicular, altamente especializado com velame e capacitado a absorver a umidade da superfície de troncos ou ramos de seus hospedeiros, bem como da umidade concentrada no ar atmosférico circulante. Outras plantas são capazes de efetuarem parte de sua absorção através de suas folhas, como acontece nas Bromeliaceae. Isto é comum nas Orchidaceae, Begoniaceae, Cactaceae, Gesneriaceae, Liliaceae. Daí pode-se deduzir que estas plantas somente podem medrar bem em regiões de clima bastante úmido, com chuvas regularmente distribuídas por todos os meses do ano.

Constituem cerca de 10% de todas as espécies vasculares, aproximadamente 25.000 espécies, distribuídas em 84 famílias. Em florestas tropicais as epífitas podem representar de 30-50% da diversidade, além de comportarem cerca de 5% da biomassa total do ecossistema. Sua distribuição vertical no forófito é determinada por vários gradientes micro-ambientais, com intensidade luminosa, velocidade do vento e temperatura do ar crescendo, e umidade do ar decrescendo do nível do solo até na copa das árvores.

Podem ser classificados em holoepífitos habituais (presentes principalmente em ambientes epidêndricos), facultativos (tanto como epidêndricos como terrestres) ou acidentais (principalmente terrestres); e hemiepífitos (epífitos que têm conexão com o solo em alguma fase de sua vida).

Referências:

BENZING, D. H. Vascular epiphytes: general biology and related biota. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

FREIBERG, M. Spatial and temporal pattern of temperature and humidity of a tropical premontane rain forest tree in Costa Rica. Selbyana 18: 77-84, 1997.

KLEIN, R. M. Ecologia da Flora e Vegetação do Vale do Itajaí. Sellowia. Itajaí: Herbário Barbosa Rodrigues 31(31): dez. 1979.

KRESS, W. J. A Symposium: The Biology of Tropical Epiphytes. Selbyana. 9: 1-22, 1986.